O Núcleo de Cultura Indígena – NCI é uma organização não governamental criada em 1985 e com sede atualmente em Nova Lima, Minas Gerais, para onde se transferiu em 1999, depois de uma longa e importante história de realizações a partir da cidade de São Paulo.
A criação do Núcleo de Cultura Indígena foi a saída encontrada na época para dar personalidade jurídica à União das Nações Indígenas – UNI, que nunca conseguiu seu registro legal. Para o Governo Federal, o Brasil era uma única nação, não reconhecendo aos povos indígenas o direito a sua territorialidade, identidade e organização social e política. Essa questão polêmica ainda permeia os conflitos de interesse entre parte dos brasileiros e os povos indígenas que continuam sem saber qual o lugar que lhes foi destinado nesta nação, formada sobre seus territórios.
A UNI e o Núcleo de Cultura Indígena representavam um novo jeito de organização, mais próximo da organização tradicional dos povos indígenas, surgindo num momento ainda delicado de retomada democrática do país.
As lideranças então à frente do Movimento, como Ailton Krenak e Álvaro Tukano, viajaram por todo o país, visitando cada comunidade indígena e mobilizando esses povos pela unidade, pela superação dos conflitos interétnicos, pela garantia dos direitos básicos a esses povos.
A importância desse movimento extrapolou as fronteiras do país. Organizações indígenas de várias regiões do mundo foram aliadas e parceiras, interlocutoras no processo de afirmação dos povos indígenas do Brasil. Governos e instituições internacionais reconheceram também a importância dessas organizações brasileiras, concedendo inclusive prêmios importantes a lideranças por seu trabalho em defesa dos direitos indígenas.