Álvaro Tukano, Apolônio Xocó, Biraci Brasil, Daniel Cabixi, Marçal Tupã-i, Marcos Terena, Paulo Bororo e muitos outros parentes estavam há anos num movimento de luta pela organização dos povos indígenas em torno de seus direitos.
Pessoas de diferentes etnias, que entendiam a política e o pensamento dos “brancos”, vivendo, trabalhando, estudando nas cidades, elas buscavam interlocutores entre políticos e formadores de opinião, aliados e parceiros para os embates com o governo, para a conquista de seus direitos, para a afirmação da identidade.
Tinham na bagagem viagens para fora do país, participação em encontros, seminários, espaços conquistados na mídia, alianças com instituições e intelectuais da época. Sabiam muito bem “de onde vinham, o que queriam e para onde iam”.
A ideia do Programa de Índio foi gestada nesse ambiente, com essas lideranças, com a compreensão de que novos espaços deveriam ser abertos para a voz e o pensamento dos povos originários.
O rádio foi escolhido como instrumento por ser um meio democrático, conhecido e respeitado pelas comunidades indígenas, por não exigir investimentos altos na produção dos programas.
O desafio era encontrar uma emissora de rádio com coragem e ousadia para abrir espaço para um programa dirigido e apresentado por pessoas indígenas, com temática e formato definido por elas e que ainda tocasse a música tradicional.
A Rádio USP, ligada à Universidade São Paulo, surgiu como resposta. Cumprindo o papel social de uma rádio educativa, tinha uma programação plural, de qualidade e com temática arrojada sob direção de Luiz Fernando Santoro, que recebeu a proposta com muito entusiasmo, mesmo sabendo o tremendo desafio que teria pela frente.