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12/11/2013 às 18:16:17

Histórias da Tradição no facebook

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12/11/2013 às 18:03:52

Histórias da Tradição

PROJETO REGISTRA E DIVULGA HISTÓRIAS DOS POVOS XAVANTE E KARAJÁ

Para que as narrativas tradicionais não desapareçam com os anciãos, Histórias da Tradição cria um acervo de histórias em áudio e vídeo na língua indígena original e publica dois livros ilustrados pelas próprias comunidades

 

 

 

“Viemos de dentro do rio, do mundo abissal. Nossos ancestrais, curiosos com o mundo desconhecido que havia além de um orifício na superfície da água, atravessaram para este mundo e ficaram vivendo às margens do Rio Araguaia. Nosso ancestral Koboi e seu povo
 ainda vivem nas profundezas do rio e é para eles que realizamos as cerimônias.”

(Povo Karajá)

“Nós viemos de lá, de onde o sol nasce, da raiz do céu. Somos de uma linhagem
 antiga. Aprendemos com nossos ancestrais os fundamentos da tradição.
 Mantemos vivo o Espírito da Criação.”

(Povo Xavante)

 

 

Estes são trechos de narrativas dos povos Karajá e Xavante que vêm sendo transmitidas pelos seus anciãos de geração a geração e correm o risco de desaparecer, como outras tantas histórias indígenas, incapazes de sobreviver aos apelos da televisão, do rádio e das novas tecnologias – e vítimas também das mudanças no convívio familiar e da própria resistência dos índios mais jovens em seguir suas tradições.

É para evitar que esse patrimônio se perca e para valorizar o papel dos grandes narradores que surgiu o projeto Histórias da Tradição, que se realiza com o patrocínio da Petrobras. Uma demanda dessas comunidades que estão conscientes dos riscos que correm e pretendem documentar, preservar e divulgar um Brasil que o próprio Brasil desconhece.

Em andamento desde o mês de agosto, o projeto tem como primeiros parceiros o povo Karajá, da aldeia Fontoura, na Ilha do Bananal/TO e o povo Xavante, da aldeia Etenhiritipá, Terra Indígena Pimentel Barbosa/MT.

 

No mês de setembro a coordenadora do projeto, Angela Pappiani,  a historiadora indígena Maíra Lacerda e o engenheiro de som Evandro Lopes estiveram nas aldeias parceiras para uma primeira etapa de trabalho de campo com a capacitação das comunidades no registro da história oral e planejamento das próximas fases de trabalho.

 

Mesmo com a motivação de saber da importância do projeto e da vontade das comunidades de documentar e preservar sua cultura para as futuras gerações, a emoção tomou conta da equipe em muitos momentos do trabalho. Só mesmo vendo o brilho nos olhos e a alegria dos velhos em ter seu conhecimento e sabedoria reconhecidos e valorizados, as sessões de gravação das narrativas com as famílias cercando os narradores, as crianças com toda a atenção nas histórias! As mulheres mais idosas da aldeia Xavante deixando suas casas para participarem ativamente das atividades do projeto no espaço da escola, junto com seus netos e bisnetos!

Aos poucos as comunidades foram se apropriando da proposta, refletindo sobre os objetivos e os rumos do projeto, alterando a programação, selecionando as equipes, incluindo questões não previstas. Cada aldeia imprimiu sua identidade ao projeto, criou caminhos próprios a serem percorridos

Em outubro uma equipe maior da Ikore fez mais duas viagens às aldeias parceiras, dando continuidade ao trabalho iniciado em setembro. Angela Pappiani, o fotógrafo Helio Nobre, o documentarista Diego Gozze  e a assistente de produção Livia Moreti percorreram de carro mais de 4 mil km de estradas, entre São Paulo, Tocantins e Mato Grosso.

 

O resultado o público pode acompanhar desde agora na página do projeto no facebook e a partir de janeiro no web site historiasdatradicao.org e em maio no lançamento dos livros onde serão publicadas algumas das histórias narradas pelos Karajá da aldeia indígena Fontoura e pelo povo Xavante da aldeia Etenhiritipá, do Mato Grosso.

Escritos em português, eles são ilustrados por jovens das próprias aldeias. Cada volume será acompanhado de um CD com o áudio da versão original das histórias, na língua indígena correspondente, e da interpretação em português feita por atores, com trilha sonora e efeitos especiais. É uma oportunidade de aproximar adultos e crianças de núcleos urbanos da tradição oral dos povos indígenas, oferecendo a eles um mundo mágico de mitos e histórias fantásticas.

Boa parte dos livros será distribuída gratuitamente a escolas das etnias Xavante e Karajá, a bibliotecas públicas dos municípios de Canarana e São Felix do Araguaia, onde estão localizadas as aldeias, e às Secretarias de Educação de Palmas e Cuiabá.

Mas esta é apenas parte do trabalho desenvolvido por profissionais de áreas da história oral, jornalistas, produtores culturais e estudiosos da tradição indígena. O projeto envolveu a capacitação dos jovens das aldeias para ajudar a registrar as narrativas em áudio e vídeo, transcrever no idioma original e traduzir para o português. Desta forma, eles podem dar continuidade ao processo de preservação de suas culturas, sendo eles próprios autores e multiplicadores de suas histórias.

 

O acervo em áudio, vídeo, fotografias e textos será disponibilizado no site www.historiasdatradicao.org  e ficará aberto à consulta a partir de fevereiro de 2014.

 

Patrimônio imaterial

 

As histórias, os mitos e as narrativas dos indígenas trazem em si os fundamentos de suas tradições. O valor e a importância desse patrimônio são incalculáveis. Infelizmente, há um grande abismo entre esses povos e o restante da população brasileira, que desconhece a riqueza de idiomas e a diversidade cultural. Só para se ter ideia, convivem no país mais de 250 etnias e muitas de suas línguas correm o risco de desaparecer. Segundo a Unesco, cerca de 80 idiomas correm perigo de extinção. A iniciativa do projeto Histórias da Tradição não só oferece uma contribuição contra esse cenário desalentador ao documentar as narrativas na língua original dos povos Xavante e Karajá, como dá a possibilidade de crianças, jovens e adultos de todo o Brasil conhecerem um pouco mais de sua realidade contemporânea. Como diz um velho sábio do povo xavante: “Ninguém respeita aquilo que não conhece”.

 

“As narrativas são como as curvas do rio, buscando caminhos pela floresta, mudando a cada temporada de chuva o seu trajeto. Elas compreendem tudo, explicam tudo, revelam a essência do povo, sua trajetória no mundo, sua história, seu meio ambiente, seus sonhos e medos. São ciência e conhecimento, magia e conexão espiritual. Mas essa magia está se perdendo. As noites nas aldeias já são iluminadas pelas telas da televisão, os rádios tocam sons em línguas estranhas e os velhos já não têm a atenção de seus netos como no passado”, conta Angela Pappiani, coordenadora do projeto. Além dela, fazem parte do projeto a historiadora Maíra Lacerda Krenak, a cientista social Inimá Lacerda Krenak, os coordenadores Karajá Daniel Coxini e Elyy Mairu, os coordenadores Xavante Paulo Francisco Supretaprã e Caii Waiassé, o engenheiro de som Evandro José Lopes e a contadora de histórias Cristiana Ceschi.

 

Parte da equipe do Histórias da Tradição trabalhou com o povo Xavante na criação do livro Wamrêmé Za’ra – Nossa Palavra, Mito e História do Povo Xavante (1998), e com os Karajás na produção do CD Iny – Cantos da Tradição Karajá (2005), entre outros projetos de documentários, exposições e apresentações.

 

Sobre a equipe

 

Angela Maria Pappiani: Jornalista, escritora e produtora cultural, trabalha há mais de 25 anos com povos indígenas desenvolvendo projetos culturais que valorizam, afirmam e divulgam a tradição e o pensamento indígena. Em sua trajetória estão parcerias e convivência com mais de 40 etnias, de todas as regiões do Brasil, além de tribos das Américas, Noruega, Japão, Nova Zelândia e África do Sul. Coordenou os projetos culturais do Núcleo de Cultura Indígena de 1985 a 1999, período em que também realizou a produção dos CDs Etenhiritipá – Cantos da Tradição Xavante e Cantos da Montanha, gravados dentro das aldeias. Organizou e produziu os textos do livro Wamrêmé Za´ra – Nossa Palavra, Mito e História do Povo Xavante (Ed. Senac-SP, 1998). Foi curadora das exposições Sentinela Yanomami, Tradição e Tecnologia, A Trama Kaxinawá e A Terra é Azul e dirigiu o Programa de Índio na rádio. De 2000 a 2009, foi coordenadora cultural do Instituto das Tradições Indígenas (Ideti), pelo qual produziu outros dois CDs: Iny – Cantos da Tradição Karajá e Ritos de Passagem. Publicou os livros Povo Verdadeiro (com apoio da Secretaria de Estado da Cultura ProAC) e Entre dois Mundos (ed. Nova Alexandria). Em 2010, como criadora e diretora do projeto Aldeias Sonoras, realizado pela Ikore, foi ganhadora do Prêmio Roquette-Pinto. 

 

Maíra P. Lacerda: Historiadora formada pela USP, é da etnia krenak e há mais de 10 anos trabalha com projetos culturais e educacionais relacionados à cultura indígena em organizações como o Núcleo de Cultura Indígena e o Instituto das Tradições Indígenas (Ideti), onde produziu o projeto Rito de Passagem e coordenou o Centro de Educação e Cultura Indígena – CECI.

 

Daniel Coxini:  Da etnia karajá, nasceu e vive na aldeia Fontoura, na Ilha do Bananal (TO). Foi cacique e desenvolveu inúmeros projetos ligados à cultura, saúde e educação, promovendo o bem-estar de sua comunidade. Participou do projeto Rito de Passagem, cursou o 3o. Grau Indígena e hoje é mestre de sua cultura.

 

Paulo Francisco Supretaprã: Da etnia xavante, nasceu na aldeia Pimentel Barbosa (MT). Estudou por alguns anos na cidade de Ribeirão Preto, onde aprendeu a falar português. Desde muito jovem acompanhou os líderes dessa aldeia, servindo como intérprete e colaborando nas negociações políticas. Foi parceiro do Núcleo de Cultura Indígena na produção do CD Etenhiritipá – Cantos da Tradição Xavante e na tradução para o livro Wamrêmé Za’ra – Nossa Palavra, Mito e História do Povo Xavante (Senac-SP, 1998). Também foi parceiro do Ideti no documentário Estratégia Xavante e no projeto Rito de Passagem. É coordenador cultural da aldeia Etenhiritipá, que ele criou em 2006.

 

Evandro José Lopes: Engenheiro de som, tem em seus trabalhos a gravação, mixagem e masterização de CDs de Milton Nascimento, Marcus Viana, Sepultura com participação dos índios xavantes, Etenhiritipá – Cantos da Tradição Xavante, Cantos da Montanha, Iny – Cantos da Tradição Karajá e projeto Ritos de Passagem

 

Cristiana Ceschi: Atriz e contadora de histórias. Atuou com os grupos Trupe do Griot, Pia Fraus e Parlapatões, Casulo, Panóptico, entre outros. Hoje, trabalha com o grupo Pé de Maravilha sob a direção de Regina Machado e integra o Coletivo As Rutes.

 

 


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04/09/2013 às 16:19:45

Rap Guarani Kaiowá

 


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03/09/2013 às 09:45:47

Povos do Ceará

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Índio Tapuia-Kariri, em São Benedito, grava documentário com as lideranças

Fotografias produzidas pelos índios Tapeba, de Caucaia, e comunidade do assentamento Coqueirinho, em Beberibe, retratam as atividades culturais como valorização da autoestima e da própria história de luta. No topo, juventude Tapeba, seguida do artesanato e teatro Coqueirinho

Povos tradicionais tiveram a iniciativa de registrar as atividades e criar o seu próprio acervo documental FOTO: MELQUÍADES JÚNIOR

Atividades econômicas tradicionais, como a produção e venda de caju e as casas de farinha, são registradas pelos mais jovens do assentamento Coqueirinho. As imagens são expostas em eventos

São Benedito. "Silêncio, que já tá ligada". Era o aviso para mais uma gravação. "Quando comecei a entrar na mata, eu senti um arrepio muito grande. Subiu nas minhas pernas e foi até o meu cabelo. Quando eu sentia esse tipo de energia, era de felicidade. Hoje, o que eu senti aqui foi de tristeza. Porque eu tô vendo a nossa mata, em que eu nasci e me criei, sendo acabada. Está muito minúscula. Não era esse ´tamanhozinho´ que estamos vendo aqui hoje", afirma Otávio Cândido, índio Tapuia-Kariri, morador da Aldeia Gameleira, em São Benedito. Quem grava é Luís, uma das lideranças jovens da etnia.

Otávio continua: "quando você bebe água de uma cacimba, que ela seca, a gente sente tristeza, pois não tem como sobreviver daquela cacimba mais. Eu sinto tristeza quando eu entro na mata e não vejo uma caça passando perto de mim, não vejo cobras, uma ave passando lá por cima. Obrigado a vocês e a todos os parentes que estão acompanhando essa entrevista. Que o Pai Tupã proteja e ilumine cada um Tapuia-Kariri e todas as aldeias em que ainda tem índio lutando pela natureza, pela Mãe Terra".

Era o fim de mais um depoimento colhido pelos jovens índios com as lideranças atuais e históricas da etnia que, como todas as outras no Ceará, luta pelo reconhecimento.

Capacitação

Desde 2005, algumas oficinas tem sido realizadas nas aldeias indígenas de forma a capacitá-los para o uso das ferramentas de vídeo e fotografia. O mesmo acontece com comunidades tradicionais de assentamentos rurais. Uma das principais iniciativas foi o cineclube indígena "Olhar Tremembé", no distrito de Almofala, município de Itarema. Foi lá que nasceu o "Olhar de menino índio", repercutido em trabalhos por outras aldeias da região norte do Ceará.

A intenção era tornar os índios protagonistas das produções, afinal, conforme o cacique Daniel Pitaguary, "pra valorizar o índio tem que ser outro índio", diz o líder da aldeia no município de Maracanaú.

A inserção dos índios nos trabalhos audiovisuais teve início com o próprio começo das organizações coletivas com a finalidade de reivindicar direitos.

Em 1985, foi realizado o documentário "Tapeba: resgate e memória de uma tribo", do cineasta Eusélio Oliveira. Oito anos depois, o cineasta Rosemberg Cariry gravou duas peças da "Campanha pela demarcação das terras indígenas no Ceará", a pedido da Associação Missão Tremembé (Amit). Um ano depois, era registrado nas fitas VHS a Primeira Assembleia dos Povos Indígenas do Ceará, na Aldeia Poranga, em Crateús. Além de depoimentos de índios participantes do evento - realizado anualmente, a presença de uma figura indigenista histórica na luta de afirma: Maria Amélia Leite, da Missão Tremembé.

Em 1995, o vídeo "Tapeba, povo massacrado" trazia mais denúncias de poluição dos rios e devastação das florestas. E seguiram-se outras, abordando questionamentos levantados pelas diversas etnias. Reportagens de televisão também constituem importante acervo, ainda que não reproduzam o olhar indígena.

Cineclubes

"As produções, quando feitas pelos próprios povos tradicionais, tem a intenção de tirar rótulos, desmistificar e dar a oportunidade de o índio falar sob sua própria visão", afirma Alberto Cukier, que atua com cineclubes em aldeias indígenas - bem como no documentário "Olhar de menino índio". Para este, partiparam 24 jovens, dos quais sete foram selecionados para produzir as imagens, conversando com as lideranças, as pessoas mais antigas. O trabalho teve o apoio do Conselho Indígena Tremembé de Almofala (Cita).

A produção audiovisual por parte dos índios do Ceará é, em verdade, ferramenta evidente de um trabalho ainda mais amplo, realizado por meio da disseminação de saberes e fazeres indígenas. É o protagonismo, agora, das escolas diferenciadas e, nelas, os professores da própria comunidade, como verdadeiros semeadores do conhecimento tradicional local.

O trabalho evoluiu de tal forma que o Ceará foi o pioneiro no Nordeste, na criação de um curso superior voltado para essas etnias. O Curso de Magistério Indígena Tremembé Superior (Mits), criado por iniciativa dos próprios índios Tremembé do distrito de Almofala, em Itarema, Zona Norte do Estado.

Pedagogia

A ideia foi dos Tremembé. As lideranças da aldeia entendiam que, por meio da educação, os valores culturais e sociais seriam transmitidos, ou melhor, mantidos pelas outras gerações. Mas há um obstáculo: o professor orientado nos bancos da pedagogia tradicional - com algumas exceções, carregada de "vícios coloniais" - não trazia as ferramentas necessárias para a manutenção dos saberes e fazeres. Foi aí que os índios de Almofala, com apoio de pesquisadores das próprias universidades, deram início à formação docente, embora já fossem professores nas escolas diferenciadas.

"Foi o único curso no País criado dentro de uma aldeia indígena, comemora o professor doutor Babi Fonteles, pesquisador e coordenador acadêmico do curso que acompanha há muitos anos a luta dos povos indígenas pelo reconhecimento. "Os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC) produzidos pelos concludentes do Curso de Magistério Indígena Tremembé Superior (MITS) são uma expressão bem importante da relevância deste Curso e uma referência para estudos sobre algumas temáticas da cultura Tremembé", explica Babi Fonteles.

Sustentabilidade

Comunidades tradicionais beirando o mar do Ceará entendem o turismo como grande fonte de renda e uma das principais ferramentas de atração a esses lugares. Mas isso não quer dizer que possa ser de qualquer forma. Foi quando decidiram resistir às expulsões causadas pela especulação imobiliária que perceberam a vez de "gritar" para o mundo a própria existência. Gritos por meio do artesanato, da agroecologia, das plantas medicinais, culinária tradicional e, juntando tudo isso, por meio do "turismo sustentável".

É assim no Coqueirinho, como em tantos outros. Mas é lá, no litoral do município de Beberibe, que está um dos maiores núcleos audiovisuais. Em miúdos: jovens capacitados em oficinas, com câmeras de vídeo e fotográficas na mão, registram todos os eventos e movimentos da comunidade. É uma celebração diária de uma conquista que "não foi fácil": a conquista do território onde vivem e praticam o turismo ecológico. O protagonismo da comunidade teve o apoio do Projeto Arte e Cultura na Reforma Agrária, realizado pelo Incra no Estado do Ceará.

MELQUÍADES JÚNIOR
REPÓRTER

OPINIÃO DO ESPECIALISTA

Processo de ressignificação

Durante o curso de Mestrado em Sociologia na Universidade Federal do Ceará (UFC), cataloguei 40 produções videográficas realizadas entre os anos de 1985 e 2013 e oficinas de vídeo em comunidades indígenas no Ceará. No contexto brasileiro, as primeiras iniciativas de utilização de suportes videográficos junto a populações indígenas foram realizadas, principalmente, em virtude da construção de grandes empreendimentos governamentais em áreas indígenas, tais como hidrelétricas e rodovias. A partir dos anos 70, algumas ONGs e cineastas discutiram, através da imagem, os diversos impactos socioculturais dessas obras na vida dos índios. Nesse sentido, grupos indígenas como os Kayapó e os Xavante, no Norte do País, foram contactados por essas instituições e cineastas com o objetivo de levar a tecnologia videográfica como instrumento que daria a oportunidade de voz aos indígenas brasileiros.

Ao longo da pesquisa, notei marcantes diferenças no contexto de apropriação e nos usos da tecnologia videográfica entre os povos indígenas mencionados acima e os povos indígenas no Estado do Ceará. Lá fora, não se tratava da necessidade urgente de lhes conferir reconhecimento étnico ou afirmação identitária, mas sim de contrapor projetos políticos que iriam atingir diretamente suas terras, causando diversos impactos ambientais, econômicos e socioculturais. No caso dos índios no Ceará, as primeiras iniciativas buscavam conferir aos índios reconhecimento étnico, sendo necessário lhes proporcionar visibilidade e sentimento de pertença a uma etnia a partir de uma reconstituição histórica.

A potencialização desses trabalhos nas redes sociais contribui ainda mais nesse processo de ressignificações.

Gabriel Andrade
Publicitário e Mestre em Sociologia 


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19/07/2013 às 10:49:13

Xavantes e Sepultura

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


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